• Ariadne Vasconcelos

Manjar Branco, um doce dos deuses e dos homens.

Essa receita é muito antiga e no começo era salgada e utilizada como um medicamento para pessoas doentes.



O manjar branco tem uma história diferente e inusitada ao mesmo tempo, não veio de nenhum caso de amor ou de uma receita que não deu certo. A sua origem está na Idade Média ( mais ou menos pelo ano de 1200) e era uma espécie de remédio que os antigos árabes davam para pessoas doentes. Isso mesmo! Consistia em um creme feito com peito de frango cozido e esmigalhado até virar uma pasta. Depois a carne era colocada num bom leite de amêndoas e a mistura era engrossada com pó de arroz (arroz moído) com um pouco sal e açúcar. Nessa época, o açúcar não era considerado ingrediente, mas medicamento e comida era medicina. Era um prato tão especial e de consumido por gente tão nobre que se podia perfumar com água de rosas e cobrir com folhas de ouro, como se fosse algo feito para os deuses.

Com a chegada dos árabes na Europa o prato foi se modificando e ganhando novos ingredientes, em vez do frango se fazia com peixe por causa da religião católica de não comer carne na sexta-feira. Mas , continuava sendo salgado.

O nome também foi ganhando "ares europeus" como blancmanger, Esse termo é de origem francesa, “blanc” é branco e “mange” vem de “manger”, comer. Ou seja, era o “COMER BRANCO”.

E com o domínio deles por Espanha e Portugal por oito séculos essa receita foi ganhando força e começou a fazer parte da cultura, que é muito comum quando existe uma forte presença de imigrantes em uma determinada região. Mas continuava sendo algo muito exclusivo e feito só para gente da nobreza, inclusive existiam bulas reais proibindo o seu consumo por qualquer pessoa, em outras palavras não era qualquer um que podia comer um manjar.

Foram os portugueses que trouxeram para o Brasil essa iguaria que estava escrita no livro O Cozinheiro Imperial, uma espécie de receituário dos cozinheiros da nobreza da época.(foto abaixo).

E com todas as influências de diferentes culturas ele começou a ficar mais doce e deixou se ser um remédio. Por exemplo, na Itália temos a pannacota que é um creme cozido de leite e gelatina, mas existem relatos que foram os ingleses que substituíram a arroz moído por amido de milho. Já no Brasil, por influência dos libaneses com as ameixas, cravo e canela e dos africanos com o leite de coco ele acabou ganhando uma nova versão que permanece até hoje. Mas não perdeu a sua nobreza, porque não é uma receita que se faz para o dia-a-dia, apenas em ocasiões especiais como Natal e Ano Novo.

Na Colômbia e Peru, por exemplo é feito dom doce de leite. Usaram o mesmo nome para uma outra receita. Já em El Salvador é como o brasileiro, só que ao invés de ser servido com calda de ameixas é polvilhado com canela.

E eu vou deixar a minha receita de manjar vegano aqui para você poder acompanhar o meu evento gratuito que acontece nessa terça-feira . Para entrar clique aqui.


#boraincluir#blogboraincluir#academiadeconfeitariainclusiva#chefprilorente#docesdedavi#govegan#semleite#semovo#semgluten#glutenfree#veganfriendly#arivasconceloscopy















42 visualizações

©2019 by Meu Site. Proudly created with Wix.com